Pancreatite Aguda e Crónica
ESCOLA SUPERIOR MEDICINA TRADICIONAL CHINESA
ÉLIA LEONILDE DO AMARAL GOMES
FISIOPATOLOGIA II
3º ANO
FISIOPATOLOGIA
PANCREATITE E CANCRO DO PÂNCREAS
PÂNCREAS
O pâncreas situa-se transversalmente na parte posterior do abdómen superior :
a cabeça do pâncreas localiza-se do lado direito do abdómen ; repousa junto à curvatura do
duodeno.
O corpo do pâncreas encontra-se junto do estômago, a cauda toca o baço.
O pâncreas não pode ser palpado devido à sua posição posterior que o torna virtualmente oculto, devido à sua posição e da sua grande reserva funcional, os sintomas de problemas tais como cancro levem algum tempo para serem detectados, quando se detecta já vai num estado avançado.
DISTÚRBIOS DO PÂNCREAS EXÓCRINO
O pâncreas é um órgão endócrino e exócrino, como exócrino ele é constituído por lóbulos que por sua vez são constituídos por células acinares que segregam enzimas digestivas para dentro de ductos microscópicos, ramos terminais de ductos maiores que drenam para dentro da ampola de Vater, apesar de em alguns casos esvaziar directamente para o duodeno.
Os ductos pancreáticos são revestidos de células epiteliais que segregam água e bicarbonato, modificando assim a composição das secreções pancreáticas no que diz respeito à água e electólitos.
As secreções pancreáticas contém enzimas proteoloíticas que degradam as proteínas da dieta, como a tripsina, quimotripsina, carboxipolpeptidase, ribonuclease e desoxirribonuclease.
O pâncreas também segrega a amilase pancreática, que degrada o amido e lipase, hidrolisando as gorduras neutras em glicerol e ácidos graxos. As enzimas enzimas pancreáticas são secretadas em sua forma inativa e tornam-se activadas no intestino, sob esta forma activada actuam sobre o próprio tecido pancreático, digerindo-o. As células acinares segregam um inbidor da tripsina que previne a activação dela. Como a tripsina activa outras enzimas proteolíticas, o inibidor da tripsina previne a activação subsequente destas outras enzimas.
● PANCREATITE AGUDA
● PANCREATITE CRÓNICA
PANCREATITE AGUDA
A pâncreatite aguda é situação grave que necessita de cuidados médicos.
Este distúrbio deve-se ao escape das enzimas pancreáticas activadas para dentro do pâncreas e tecidos circundantes, estas enzimas vão provocar a necrose da gordura ou autodigestão do pâncreas e depósitos gordurosos na cavidade abdominal com hemorragia a partir doa vasos necrosados.
Existem vários factores associados com o desenvolvimento da pancretite aguda mas a maioria resulta dos cálculos biliares( cálculos no ducto) ou abuso de álcool.
No caso de obstrução do trato biliar devido a cálculos biliares, a obstrução do ducto pancreático parece activar as enzimas no sistema dos ductos pancreáticos.
O mecanismo através do qual o álcool exerce sua acção ainda é desconhecido apenas se sabe que é um estimulador potente das secreções pancreáticas e é capaz de causar a obstrução parcial do esfíncter de oddi.
A pancreatite aguda também é associada com a hiperlipidemia, hiperparatireodismo, infecções ( principalmente virais), traumas abdominal cirúrgico, bem como drogas, como os esteróides e diuréticos tiazídicos.
TAXA DE MORTALIDADE
A pancreatite aguda pode ser classificada histologicamente como intersticial edematosa ou necrosante, de acordo com as alterações inflamatórias no tecido pancreático.
A pancreatite aguda necrosante geralmente é associada à necrose da gordura peripancreática.
Representa uma forma grave da pancreatite aguda com uma taxa de mortalidade de 23% comparada com os 6%da pancreatite aguda não necrosante. A taxa de mortalidade é mais elevada nos pacientes nos quais o tecido necrótico se torna infectado.
Acredita-se que a infecção ocorra principalmente como resultado de disseminação bacteriana a partir do cólon.
SINTOMAS E SINAIS
O início da pancreatite aguda é rápido e dramático, pode ser logo a seguir a uma refeição rica em gordura ou abuso de álcool.
O sintoma inicila mais comum é dor epigástrica e abdominal intensas que podem irradiar para as costas, a dor agrava se pessoa estiver deitada na posição de supina; é menos acentuada se pessoa estiver sentada e curvada para a frente.
A distenção abdominal acompanhada de burburinho abdominal hipoactivo é comum.
Um distúrbio importante relacionado com a pancreatite aguda é a perda de grande volume de liquido para dentro dos espaços retroperitoneal, peripancreatico e cavidade abdominal.
Taquicardia, hipotensão, pele húmida e fria, febre frequente, são evidentes neste caso.
Sinais de hipocalcemia podem desenvolver-se, provavelmente como resultado da precipitação do cálcio do soro em áreas de necrose gordurosa.
Icterícia leve pode instalar-se após as primeiras 24 horas devido à obstrução biliar.
TESTES E TRATAMENTO
A amilase do soro é o teste mais utilizado com mais frequência para diagnóstico da pancreatite aguda.
Os níveis sorológicos de amilase aumentam nas primeiras 24 horas após o início dos sintomas e permanecem elevados por 48 horas a 72 horas.
O nível sorológico da lipase também se encontra elevado durante as primeiras 24 a 48 horas, permanecendo alto por cinco a 14 dias.
O clearence urinário da amilase mostra-se maior.
Dado que o nível sorológico da amilase pode-se encontrar aumentado como resultado de doenças graves, é necessário medir com frequência o nível urinário da amilase.
A contagem de glóbulos brancos no sangue pode apresentar-se elevada, hiperglicemia e níveis sorológicos aumentados de bilirrubina podem estar presentes.
Podem-se pedir radiografias simples do abdómen para detectar os cálculos biliares ou complicações abdominais.
As tomografias computarizadas e tomografias do pâncreas realçadas dinamicamente através de contraste são utilizadas para detectar a necrose pancreática e acumulo de líquidos.
Podem haver complicações como síndrome de angústia respiratória aguda e necrose tubular aguda.
O tratamento consiste em medidas focadas no alívio da dor, colocação do pâncreas em repouso e restauração do volume plasmático.
A profilaxia através do uso de antibióticos deve ser usada para prevenir a infecção do tecido pancreático necrosado.
A meperidina (Demerol), melhor do que a morfina , pode ser administrada para o alívio da dor, porque provoca menos espasmos do esfíncter de Oddi.
A papaverina, nitroglicerina, barbaturicos ou drogas anticolinérgicas podem ser administradas como suplementos, para providenciar o relaxamento da musculatura lisa. Os alimentos e líquidos por via oral devem ser evitados, e a aspiração gástrica instituída, visando tratar a distensão intestinal e prevenir posterior estimulação da secreção das enzimas pancreáticas.
Fluidos e eletrolitos por via venosa devem ser administrados, para repor os perdidos da circulação bem como combater a hipotensão e choque.
As soluções coloidais intravenosas são administradas, a fim de repor o liquido sequestrado para o abdómen e espaço retroperitoneal . A lavagem peritoneal transcutânea tem sido usada como um tratamento precoce da pancreatite aguda com resultados estimulantes.
Caso se desenvolva um abcesso pancreático deve ser drenado , geralmente através do flanco.
Um pseudocisto é uma colecção de liquido pancreático na cavidade peritoneal encapsulado em uma camada de tecido inflamatório. Autodigestão ou liquefação do tecido pancreático podem ser sua causa. O pseudocisto frequentemente se encontra conectado a um ducto pancreático, de modo que continua a aumentar a sua massa.
Os sintomas dependem da localização; por exemplo, pode ocorrer icterícia, quando um cisto se desenvolve próximo á cabeça do pâncreas, junto do ducto comum. Os pseudocistos podem passar por auto-resolução ou caso persistam, requer intervenção cirúrgica.
PANCREATITE CRÓNICA
A pancreatite crónica caracteriza-se pela destruição progressiva do pâncreas, podendo ser dividida em dois tipos:
-Pâncreatite crónica calcificante
-Pancreatite crónica obstrutiva
Na pancreatite crónica calcificante, rolhas proteicas calcificadas ( calculos) constituem-se dentro dos ductos pancreáticos, forma observada mais frequentemente nos alcoólicos. O álcool lesa directamente as células pancreáticas e aumenta a concentração das proteínas nas secreções pancreaticas que leva á formação de das rolhas proteicas. Outras causas da pancreatite crónica são a fibrose cística e a pancreatite obstrutiva crónica, levando á estenose do esfíncter de Oddi. Na pancreattite obstrutiva, as lesões são mais evidentes na cabeça do pâncreas. A doença geralmente é causada por colelitíase e, algumas vezes pode ser aliviada através da remoção do esfíncter de Oddi.
A pancreatite crónica manifesta-se em episódios similares, mesmo que de menor inensidade que os de pancreatite aguda.
Os pacientes apresentam episódios persistentes e recorrentes de dor epigástrica bem como no quadrante superior esquerdo; as crises frequentemente são precipitadas pelo abuso de álcool ou alimentação excessiva.
Anorexia, náusea, vómito, obstipação e flatulência são comuns.
A doença progride a tal extensão, que as funções pancreáticas endócrina e exócrina ficam deficitárias. Neste ponto sinais de diabetes mellitus e síndrome de má absorção ( por exemplo perda de peso, fezes gordurosas) tornam-se aparentes.
TRATAMENTO
O tratamento consiste em medidas para tratar doenças do trato biliar.
Geralmente é prescrita dieta pobre em gordura.
Os sinais de má absorção podem ser tratados com as enzimas pancreáticas.
Quando o diabetes é associado deve ser tratado com insulina.
O álcool é proibido porque facilmente precipita as crises.
Devido aos episódios de dor, o vicio em narcóticos é um problema para as pessoas com pancreatite crónica.
Muitas vezes é necessário cirurgia para aliviar a dor, em casos avançados pode ser necessária uma pancreatectomia total ou subtotal.












